Data de nascimento - 13.08.2008

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Profissional X Mãe

Esse é um dilema que muitas de nós, recém mamães vamos enfrentar. Tenho lido muito sobre essa escolha nos últimos dias, mesmo porque a minha licença está terminando. Optei por sair um mês antes, pois estava muito cansada e com a barriga já bem grande.
Hoje, saiu no site "Bolsa de Mulher" essa reportagem, achei bem interessante e replico ela aqui. Espero que seja útil para vcs como foi para mim.

Profissional X Mãe
28/10/2008
Cynthia Magnani

No últimos três séculos, a situação das mulheres na sociedade, graças ao movimento feminista, mudou bastante: votamos como os homens, podemos pedir o divórcio por vontade própria e somos maioria nas universidades. No entanto, em relação ao acesso ao mercado de trabalho, as mudanças têm ocorrido de maneira um pouco mais lenta. E o mais perturbador: a maternidade ainda é, muitas vezes, um entrave para a carreira.

Uma pesquisa feita por uma das maiores empresas de recursos humanos norte-americanas, o grupo Catalyst, indica que cerca de 25% das mulheres com filhos pequenos decidem não voltar a trabalhar após o nascimento deles. Os pesquisadores entrevistaram quase duas mil mães entre 20 e 44 anos nos Estados Unidos, Canadá e Suécia, e perceberam que, para 43% delas, a vida profissional passou a interferir negativamente no ambiente familiar. Segundo 83% das entrevistadas, a chegada de um filho fez com que elas passassem a valorizar mais uma vida em família equilibrada do que o sucesso na carreira.
A mulher moderna acumula as funções de cuidar de casa, do trabalho, do próprio corpo (afinal, a concorrência anda acirrada), do marido e dos filhos. Como se não bastasse, o sexo feminino ainda sofre preconceitos, como salários menores que os dos homens e pouca representatividade entre os cargos de chefia de grandes empresas, por exemplo.
Segundo Leyla Nascimento, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos - seção Rio de Janeiro (ABRH-RJ), a mais conhecida forma de preconceito é a demissão de profissionais mulheres ao saberem que elas estão grávidas. "É uma visão míope da empresa que, ao comportar-se dessa forma, gera um clima organizacional péssimo, que impacta na performance e nos resultados dos demais funcionários. E o que considero pior: reflete no mercado uma imagem muito ruim. A marca passa a não ser valorizada, pois a empresa esquece que estamos na "sociedade do relacionamento" e essas informações são transferidas para o mercado.
Nenhum profissional quer ter no seu currículo uma empresa que não possua uma boa imagem. Assim, a organização passará a ter dificuldades de reter os seus talentos ou de recrutar bons profissionais. Além disso, no mercado global, muitos países não mais aceitam estabelecer relações comerciais com empresas que não trabalham com a diversidade. As sanções para quem não respeita os direitos das mulheres são jurídicas e legais, mas também de quebra de contratos comerciais ou de imagem", alerta.
Mas, infelizmente, muitas empresas ainda torcem o nariz ao saber que uma funcionária está grávida ou que pretende ter filhos em breve. Isso em pleno século XXI. Por esses motivos, muitas mulheres adiam a gravidez ou simplesmente abrem mão de serem mães, apenas para se dedicarem ao trabalho.
A relações-públicas contratada pelo Exército Ana Luiza Oliveira é uma das que optaram por esperar um pouquinho mais para engravidar por causa do trabalho. "Para exercer a profissão em que me formei e buscar aperfeiçoamento através de cursos de especialização tive que mudar de cidade e construir minha vida em um lugar diferente. Acho que ainda é possível, sim, conciliar filhos e trabalho, mas é necessário ajuda de outras pessoas, como familiares, babás ou creches. Por isso achei melhor esperar mais para realizar o meu grande sonho de ser mãe", diz. Depois de cinco anos morando no Rio de Janeiro, Ana Luiza conseguiu, este ano, voltar para sua cidade natal, Volta Redonda, no interior do estado. Ela se diz pronta para retomar o sonho da maternidade. "Como atualmente minha vida está mais engrenada, pessoal e profissionalmente, podendo conciliar minha carreira com a vida pessoal, estou programando para o próximo ano a vinda do tão esperado baby", comemora.

Quanto à mim, quando pensei em engravidar estava trabalhando em um empresa e surgiu a oportunidade do novo emprego com salário melhor, optei por adiar o sonho de ter um filho... mudei de emprego, mas quando percebi a encrenca que tinha me metido (clima organizacional péssimo!) não quis adiar mais uma vez a gravidez, já que estava com 33 anos, então, engravidei com 3 meses de empresa.... claro! vi caras e bocas pra mim o tempo todo, críticas e narizes torcidos... mas nada disso abalou a felicidade que foi toda a minha gravidez!
Também senti na pele o preconceito... com 3 meses de gravidez tive que ouvir do meu chefe que a minha motivação e produtividade não era mais a mesma e tendia a diminuir por causa da gravidez... enfim...
Hoje, penso seriamente em não retornar, mas ainda não tomei essa decisão... terei que toma-la em 2 semanas!

2 comentários:

Eliane disse...

Olá, hoje meia hora atraz tive um crise de nervos por este assunto... então vim para a internet pesquisar sobre este dilema e encontrei seu blog. É isso, é bem difícil mesmo, estou com 33 anos e o relógio biológico já apitou faz tempo, e a coragem? Vivo inventando desculpas para tentar atrasar a gravidez, mas será que vale a pena? Eu não sei se voltaria a trabalhar nos primeiros 2 anos depois do nacimento do bebe, mas e a questão financeira, como fica?!
Não é fácil! espero que tenha conseguido uma boa solução para sua família. Parabéns pelo bebe.

Camila Guimarães disse...

Olá Eliane, obg pelo comentário!
Esse assunto daria uma conversa para boas horas de papo. Mas vou resumir a minha experiência. Optei por NÃO voltar, mais do que pelo bebe, foi uma grande segurança que a maternidade me deu para eu escolher faze apenas aquilo que me dê absolutamente prazer e satisfação. INgressei num mestrado, tenho bolsa da CAPES e me dedico à leituras e estudos... em casa, pertinho do pequeno. As veses bate um nó na cabeça, após tantos anos trabalhando fora e de repente ficar em casa - muda rotina, muda o fisiológico e o emocional. E tem prós e contras. No final das contas acho que melhor mesmo é não fazer um cavalo de batalha em cima disso e seguir o que o coração diz. Quanto ao financeiro, ele é importantíssimo. No meu caso, meu marido me apoiou e respeitou minha decisão, assumindo as contas da casa integralmente.
Bju e boas escolhas!!